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Morte? Porque logo isso agora? (artigo)

 Morte? Porque logo isso agora? (artigo) Por Egnaldo Araujo

Lá estávamos nós, na beira da calçada, naquele boteco de bairro a bebericar uma cervejinha gelada, a jogar conversa fora naquela gelada, com relutância, por ser ainda cedo, iniciou-se a “manhã de sol ainda frio de um sábado de setembro. O bar acanhado ainda estava com poucos fregueses, naquela frutaria mista, isto é a vender banana prata a R$4,00 reais os quilos de aipim, a R$3,00; e mamão a R$3,60. Com a pedida ao garçom de uma cerveja (seis reais) a garrafa expediente”, O grupo só falava de duas pessoas: Deus e Mundo.

“Cadê o Zinho”? “Perguntei por aquele idoso, velho bebedor do local, que há algum tempo soubera estar enfermo, quando veio a notícia bomba,” morreu, e arrematou: Morreu de cachaça, respondeu Lineu, um coroa filho de espanhóis, frequentador emérito do Bar Tem Tem, que há décadas reúne moradores e trabalhadores das imediações do Fórum Ruy Barbosa, bairro central da capital baiana.

Ao lado de outro habituê, o Biro – Biro, mulato alto, embarcadiço aposentado pela extinta Companhia de Navegação Baiana, animados com aquele reencontro, prosseguimos a conversação, a comentar os últimos inquéritos sobre a Lava Jato, e a proposta de indiciação do ex-presidente Lula, pelo Ministério Público; a se comentar os resultados nada satisfatórios dos dois principais times de futebol da Bahia e, principalmente, as fofocas envolvendo as eleições municipais que se aproximam. Até que o assunto se voltou para morte. Morte? Porque logo isso agora? Lá vem vocês com essas histórias macabras. Vamos mudar de assunto gente? Mas não houve jeito: O Biro Biro, logo, logo, passa a relembrar daqueles tempos, de início de suas atividades, como prático das embarcações que navegavam pela Baia de Todos os Santos e, sua primeira viagem ao Rio de Janeiro, nos idos de 70, como verdadeiro marinheiro de primeira viagem, como piloto-prático de um grande vapor cargueiro da Nab – Cia de Navegação Brasileira, onde, ao enfrentar aquelas incríveis ondas, não segurou a onda e vomitou até as tripas. Mas, passado o teste ele prosseguiu na profissão, pela qual veio a se aposentar. A MORTE SUBITA “Ele, meu pai, pedreiro competente, (que, lá na ilha de Itaparica, fazia a manutenção das casas do presidente da Navegação, onde me iniciei como office-boy), o Isidoro Serafim do espírito Santo, morreu em meus braços; Biro, Biro, passou a relatar, tim tim, por tim tim, como se deu o desenlace... Até que já se aproximava da meia noite, quando ele, sentou-se no meio da cama, com dificuldades de respirar... foi quando minha mãe, gritou por mim, Biro, Biro, Biro, venha cá depressa que seu pai está passando mal.” O mais que depressa corri para o local, tempo em que o amparei e ele, a olhar ofegante para mim, disse: Chegou a minha hora meu filho. E fechou os olhos e ali mesmo se despediu da vida. Morreu. E arrematou, “Até hoje eu não pude me recuperar dessa traumática partida de meu amado pai”.

O Espanhol O Lineu, Espanhol, também idoso, lá para seus 70 anos de idade, arregalou os olhos e nem bem o outro parou de falar ele emendou: “Rapaz, morrer mesmo sem nem me dar tempo de ajudar foi o velho meu pai, um aguerrido Espanha, bebedor de vinho e cachaça bagaceira”. Ele, que tinha uma grave alergia, teve uma pneumonia, e tivemos que leva-lo ao Hospital Espanhol, pegamos um Aero Willys do vizinho emprestado e lá fomos nós, a internar o velho naquele hospital do bairro da Barra. Chamei o médico chefe, expliquei-lhe a situação, e, depois de feitos os exames preliminares, raios X, exames de sangue, e tudo o mais, foi-lhe destinado um apartamento lá na ala dos espanhóis associados da Entidade hispânica. Foi o apartamento de número 44. Mais que depressa, para lá me dirigi e ao verificar o ar refrigerado, constatei, que havia uma sujeira homérica a se juntar no aparelho. Aquilo era morte certa, caso o meu pai ali fosse alojado.

Não contei conversa, liguei pessoalmente para o chefe da manutenção, o qual se comprometeu fazer a devida limpeza. Como o fez, a posteriori, isso irresponsavelmente, com paciente já alojado no local. Com a retirada ali mesmo do tal filtro; espalhou fungos por todos os quadrantes: “Conclusão, o quadro clínico do velho se complicou de tal forma que ele teve que ir para a UTI – Unidade de Terapia Intensiva, e que, após quatro dias veio a falecer” Até hoje não consegui me recuperar de tamanha irresponsabilidade do referido Hospital, felizmente hoje fechado”.

E finalizou a sua narrativa.

Egnaldo Araújo – DRT – 4230 – DF.

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